Como é estudar Jornalismo de Moda?

February 18, 2018


O gosto pela leitura esteve sempre presente em mim - e cheguei mesmo a ganhar os prémios mensais da biblioteca da minha escola por, literalmente, devorar uma enorme quantidade de livros por mês. Lia livros de todos os géneros e acredito, plenamente, que esse foi o grande motivo de se ter suscitado em mim o bichinho da escrita. Eu gosto mesmo muito de escrever! E já escrevi imensa coisa, de géneros completamente diferentes. Depois de um montão de experiências como livros inacabados, fanfics, e muitos blogs, sabia que queria realmente um futuro emprego onde pudesse escrever muito. E assim sonhei que um dia teria o meu escritório, num edificio imponente no centro financeiro de Londres, a trabalhar como Editora de moda para uma revista de renome.
Como tenho muitas etapas a cumprir antes de lá chegar, decidi tirar o curso de Jornalismo de Moda em Inglaterra - porque não existe esse curso em concreto em alguma universidade portuguesa, porque as oportunidades neste país são muito maiores, porque queria viver um bocadinho daquilo que será a minha vida se algum dia, eventualmente, conseguir alcançar o objetivo de que falei anteriormente.
Decidi por isso falar um bocadinho da minha experiência com o curso, visto que já falei de tudo o resto sobre a minha vida em Inglaterra e não tinha ainda falado em concreto sobre o que estou a estudar.

O que foi necessário para a candidatura?

Como já disse em outros posts, quem fez a minha candidatura à universidade foi a OkEstudante. Precisei de ceder alguns documentos como o cartão de cidadão e o certificado de habilitações, e foi essencialmente isso. Depois foi esperar por uma resposta da universidade. Geralmente, se ainda não acabaram o 12º ano, a universidade envia uma Conditional Offer, isto é, eles estipulam algumas exigências e se vocês as cumprirem são realmente aceites - e recebem assim a Unconditional Offer. Eu recebi a minha Conditional Offer em Fevereiro, e pedia que concluísse o 12º ano com média acima de 14 a Inglês, só isso! É também preciso fazer um exame de Inglês, mas a OkEstudante tinha uma parceria com a minha universidade e não precisei de fazer o exame porque tinha média maior que 14 à disciplina de Inglês. Quando concluí o Secundário enviei-lhes o certificado de habilitações já a comprovar a conclusão do 12º ano e fui aceite definitivamente na universidade. Por último, tive de preencher um formulário enorme a solicitar o financiamento das propinas e enviar para Inglaterra. Tudo isto foi um processo longo mas extremamente facilitado pela ajuda que tive da OkEstudante.

Como são as primeiras semanas do curso?

 A primeira semana - Fresher's Week, ou Semana dos Caloiros - tem um ambiente incrível! Não há praxes nem nada que se pareça, mas o ambiente é extremamente divertido. Durante o dia tinha de ir duas ou três horas à universidade para atividades do curso, para conhecer as instalações e os professores. Tive uma visita de estudo a Londres para ver a exposição Balenciaga: Shaping Fashion, que me deixou de coração cheio quando recebi logo mil e um trabalhos para escrever sobre a exposição, como reviews, escolher as minhas peças preferidas da exposição e aquelas que seriam mais susceptíveis a ser faladas nos media! Houve também a Fresher's Fayr, que sempre foi tradição em todas as Universidades inglesas, e que consiste numa mega feira cheia de stands a expôr as sociedades disponíveis, as atividades que podemos fazer na cidade, e a melhor parte: cheguei a casa cheia de freebies e descontos para gastar em todos os sítios possíveis aqui em Southampton. O ambiente foi incrível e a feira repete-se em Fevereiro, ainda que mais pequena. No que toca à vida noturna para os caloiros, temos literalmente duas semanas seguidas de festas, o que é ideal para os mais festivaleiros - a mim não me cativaram, claramente.


Como são as disciplinas?

O primeiro ano do meu curso é super tranquilo, tanto que as notas não contam para a média final do curso. As disciplinas são mais leves e servem como introdução ao mundo da moda e da escrita profissional. O ano começou com três disciplinas que acabaram em Dezembro - Language of Fashion, Design Skills e The Fashion Writer; e em Janeiro começaram outras três que acabam em Maio - Trends in Digital Journalism, Multiplatforms Journalism e Fashion Photography. No geral a dificuldade não é extrema mas sim, é exigente.


E a carga horária?

São muito poucos os cursos com uma carga horária semelhante à carga horária universitária em Portugal. Eu tenho umas meras 9 horas semanais e somente três dias de aulas por semana! Se por um lado é ótimo pelo facto de termos imenso tempo para tudo, inclusivé para trabalhar, por outro é extremamente difícil sermos disciplinados seja para estar presente em todas as aulas, seja para não nos perdermos com tanto tempo livre.

Quais são os métodos de avaliação?

No meu curso somos avaliados com dois trabalhos finais (Assessments) que vão determinar qual a nossa nota final à disciplina. Estes assessments têm uma data e hora limite para ser entregues e se ultrapassarmos esse momento a nossa nota é reduzida em 40%. No primeiro trimestre destaco alguns como elaborar uma capa para uma revista, escrever três artigos e atribuí-los a uma revista em que se encaixassem, e um portfólio de pesquisas, e longooooos artigos sobre ética na moda.


É difícil tirar um curso num país com uma língua diferente?

Tudo depende da preparação que temos com essa língua.
Sempre fui boa aluna a línguas, e Inglês não era exceção. Obviamente que as aulas de Inglês em Portugal não nos preparam minimamente para estarmos adaptados ao sotaque britânico, nem para termos um vocabulário perfeito para tudo. Mas também é verdade que algum tempo depois de cá estarem já estão tão envolvidos na língua quanto na cultura. Pessoalmente, percebo tudo o que os professores dizem e todas as leituras que faço - o essencial. Claro que não me sinto tão à vontade para falar, nem para escrever, mas com o tempo as melhorias são notáveis!
E a dificuldade com a língua obviamente diverge de curso para curso. Eu estou em Jornalismo, onde tudo gira em torno da comunicação, principalmente da escrita - da mesma forma que a ortografia tem uma grande importância na nota final em Portugal, aqui também! É preciso simplesmente ter algum cuidado e atenção, reler sempre e se preciso, pedir a alguém que nos corriga os erros! As pessoas são super prestáveis com os estudantes internacionais e aliás, temos acesso a aulas grátis de inglês - por isso a língua não é, de todo, uma barreira!

Como são as instalações da universidade?

Uma das maiores diferenças que destaco entre as universidades portuguesas e inglesas é sem dúvida o facto de estarmos em contacto com material muito mais moderno para trabalharmos, seja nos estúdios de fotografia, nas próprias salas de computadores ou em qualquer outro tipo de salas com material especializado para determinados cursos. Em Inglaterra temos, efectivamente, acesso a materiais com os quais iremos trabalhar no futuro em determinada indústria e por isso concluímos o curso completamente instruídos para a teoria, mas sobretudo para a prática.
Eu adoro a minha universidade. Temos um edifício novo lindo e o pavilhão desportivo está a ser reconstruído mas pelas imagens do projeto dá para perceber que vai ser realmente imponente e super modernizado!
Dentro das instalações podemos contar com tudo o que possam imaginar, seja cafés, quiosques, restaurantes, estúdios para tudo, gabinetes de hipnoterapia, de aconselhamento financeiro, de ajuda ao bem-estar e à procura de emprego! Enfim, ainda que pequena, é realmente um mundo!



Como é a relação com os professores?

Os meus professores são pessoas incriveis! Ajudam realmente todos os alunos e têm sempre o cuidado de verificar se os estudantes internacionais não perderam o fio à meada, se estão com dificuldades, seja escolares seja pessoais! Aliás, até os professores têm nacionalidades diferentes - não só ingleses como italianos, brasileiros e lituanos, o que os torna muito mais acessíveis, pondo-se na maioria das vezes na nossa situação!

Posto isto resta-me recomendar a esta experiência e, acima de tudo, esclarecer que "estudar moda" não é dar "um tiro no escuro". Pelo contrário, estudar moda é um ato de coragem, por sermos capazes de arriscar naquilo em que poucas pessoas acreditam!
Moda é uma indústria complicada onde é realmente necessário sermos os melhores para singrar, e é por isso preciso muita dedicação para ter sucesso! Decidir vir estudar para Inglaterra para lutar pelo sonho, quer seja de estudar na área da moda, quer seja na área da música ou em qualquer outra área não convencional, é realmente um sacrifício pelo facto de se ter de abdicar de tanto - mas de uma forma ou de outra o sacrifício enorme vale sempre a pena!
Não tenham a ideia de que alguém que veio para cá para estudar uma dessas áreas veio porque optou pelo caminho mais fácil, pelo curso menos exigente, e que no fim iremos acabar no desemprego..
Pessoalmente, tinha sido tudo muito mais fácil se tivesse ficado em Portugal, numa universidade perto de casa, num curso aceitável e onde podesse todos os dias viver a vida que vivi até então.
A mudança exige coragem e muito esforço.
Não tenho medo de ouvir opiniões céticas ao meu curso, porque eu sei as oportunidades que tenho depois de terminar o meu curso, sei o caminho que quero percorrer quando finalizar a licenciatura (porque a minha formação não irá ficar certamente por aqui) e sei todo o esforço e sacrifícios que tive de fazer para estar aqui hoje.
Eu acredito no meu curso.
E se um dia o curso não me valer de nada, pelo menos a experiência valeu de tudo!

Um beijinho,
Bárbara

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